A NATUREZA SOFRE

Penetrei no silêncio do arvoredo,
Orientado pelas curvas do rio.
Um silêncio tétrico, frio,
Senti medo...
Ouvi pios, senti arrepio.

Lá, depois do rio,
Cantava um sabiá,
Encantei-me, fui lá,
Mas tudo era mistério,
até o canto do sabiá...

Árvores imensas
Abrigavam o passado.
Em silêncio fiquei a espreitar.
Nada via além daquele rio sinuoso,
Que deslizava e fugia silencioso...
Não havia, sequer uma borboleta,
Talvez, porque não houvessem flores.

Olhei em meu derredor,
Vi galhos secos ao chão,
Apertou-se meu coração,
Senti frustração
E Saí dali.

Voltei para o mundo,
Encontrei um ambiente sofrido.
Tive um desejo profundo
De entender esse mundo,
Senti-me perdido...

Esse é o mundo da incoerência,
Por isso, a natureza vive triste,
O dedo do homem em riste,
Determina a violência...

Todos ferem, sangram a floresta,
Não há mais alegria, nem festa
Das flores
Já quase não se vê colibris,

Aos pouco some-se a beleza
E tudo se torna triste...
A natureza sente dor!

(Tarcisio Costa)


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Poemas de A-E