CABRA NORDESTINO


No final é repetido sem os regionalismos

Pra ser home
não precisa dizê que tem h
nem outra desculpa quarqué,
dizer, sim, que gosta de muié,
que é um cabra trabaiadô,
qui num qué a "vida boa"
que tem lá na capitá...

Qué vivê mermo no sertão,
trocar o “sanduba”
por feijão,
sê valente, corajoso,
desconfiado e manhoso,

Ser cabôco honesto
mesmo dos aperrei
não mexer no qui é alhei,
não andá cá cara cheia,
bebê só fina de sumana,
tomá umas cana,
pra matá a dor de dente,
sê pobre
mas sê decente,
andá todo arrumado
ao lado do seu amô,
na lapela botá uma fulô
descambá pros forrós
pro mode se diverti.
Ser feliz e gargaiá,
com os amigo proseiar,
curtir a natureza,
ouvi os passarim.
dispois tomá bãe de rio,

no mei do mulheril
pular das ribanceiras,
descer nas corredeiras,
ver as beleza das flô,
apreciá as suas cô

ser respeitadô
dormir tranqüilo
de barriga cheia,
com o amô de lado,
não alimentá ilusão,
não viver de fantasia
tê amô no coração
escutá as poesia
aprendê a fazê repente
com cantadô do sertão.

Para ser homem
não precisa dizer que é com h
nem dá outra desculpa qualquer,
dizer, sim, que gosta de mulher,
que é um cabra trabalhador,
que não quer a "vida boa"
que tem lá na capital...

Quer viver mesmo no sertão,
trocar o “sanduba”
por feijão,
ser valente, corajoso,
desconfiado e manhoso,

Ser caboclo honesto
mesmo quando aperreados,
não mexer no que é alheio,
não andar com "cara cheia",
beber só fins de semana,
tomar umas "canas",
para matar a dor de dente,
ser pobre ,
mas ser decente,
andar todo arrumado
ao lado do seu amor,
na lapela colocar uma flor
descambar para os forrós
para poder se divertir.
Ser feliz e gargalhar,
com os amigo prosear,
curtir a natureza,

ouvi os passarinhos.
depois tomar banho de rio,
no meio do mulheril,
pular das ribanceiras,
descer nas corredeiras,
ver as beleza das flores,
apreciar as suas cores

ser respeitador
dormir tranqüilo
de barriga cheia,
com o seu amor de lado,
não alimentar ilusão,
não viver de fantasia
ter amor no coração
escutar as poesia
aprender a fazer improviso
com os cantadores do sertão.

(Tarcisio Costa)


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Poemas de A-E