REMINISCÊNCIA
DOS MEUS NATAIS

Preâmbulo

Dizem as Sagradas Escrituras,
Que quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.

A estrela nova brilhava
Mais do que as outras, porém,
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.

Essas duas singelas quadras são partes de um poema,
do qual não me lembro o autor, de um livro de
leitura escolar, adotado no curso primário, na
minha infância. Reproduzi esses versos não por que
se constitua uma obra de destaque da literatura
mas por que significava algo que, para mim,
merecia reflexão. Naquele tempo, eu lia esse
poema com o respeito de uma oração.
Criava-se na minha mente, como num sonho, a presença
daquela estrela guiando os Três Reis Magos,
fato relatado no poema.
Eu lia o poema e imaginava o menino Jesus naquela
manjedoura, recebendo os cuidados de Maria e de José,
cercados de carneirinhos e pastores, adorando
aquele que seria Salvador.
Aquele movimento divino que eclodiu ao som das
trombetas enfeitava a minha imaginação, que via as
legiões de anjos com suas roupas reluzentes,
batendo palmas e cantando músicas de louvor...
Não sei se estou conseguindo transmitir o que pretendo.
Mas, aquele era o natal em que eu, na minha infância,
há mais de cinqüenta anos, comemorava. Era um natal
só de amor. Todos íamos de roupa nova, para a missa
do natalina, lembro que sentia na minha face de
criança a brisa da felicidade. Tudo naquele dia eram
amenidades e os nossos corações comungavam com
os anjos aquela imensa alegria.
A troca de presente existia sem ofuscar a
festa do Pequeno-Grande aniversariante.
Não existia shopings, o natal não era um fator de
avaliação para o crescimento ou redução da produção
ou da economia.
O Natal era a presença do Menino-Deus no nosso coração.
Sentíamos na nossa alma uma paz profunda de
muita felicidade. Esse era o maior presente
que podíamos receber.
Pois bem, aqueles versinhos transcritos no início,
ficaram gravados na minha memória, que, nesta época
fluem no meu pensamento e trazem para mim a saudades
daqueles momentos de paz e de muito amor da minha
infância.


(Tarcisio Costa)



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