SAUDADES DA MINHA MÃE

Quando lembro da minha mãe fico pensativo, flui aquela
saudade perene que habita em meu coração. Às vezes,
faço uma reflexão, volto ao passado da minha infância,
da minha juventude e, como em um sonho, revejo as coisas
mais simples e mais belas da minha vida.

Na minha infância morávamos em um sítio, lá tudo era belo,
verde, por entre os canaviais corria manso o rio.
O amanhecer era encantador, cheio de pássaros trilando e,
sempre ao longe, ouvia-se o lamento do canoro sabiá.

Era uma região serrana, de manhãs frias. Acordávamos cedinho
com o barulho dos carros de bois no seu cantar plangente,
transportando cana para o engenho. Nessa hora, a família
se reunia em uma ampla cozinha, para tomar um café, ao calor
do fogão à lenha. Era um ambiente sem traumas,
sorria-se de tudo, era um viver no paraíso.

Existia ali uma figura central, a responsável pela a harmonia,
pela irradiação da luz do amor MINHA MÃE.
Ninguém para ela crescia, não existia idade, ela nos
olhava com a ternura que se olha para uma criança.

Por falta de colégio local, estudava na capital do estado,
os meses distantes eram marcados pela saudade, por mim sentida
no meu coração, por minha mãe expressas nas suas cartas
sempre amorosas e cheia de preocupação comigo, repletas de
orientações que vieram de sobremaneira influir na minha formação.

E, quando chegava de férias, era um rebuliço na fazenda,
bolos, doces e alegrias me esperavam.
Via no olhar da minha mãe aquela alegria que enchia o meu
coração de felicidade. Em todas as noites ficava pertinho
dela, deitado no seu colo, ela me contava tudo da família,
as novidades, mas sempre selecionando as coisas boas,
enquanto recebia os seus carinhosos cafunés.

Tudo passou, ela hoje não está mais entre nós, Deus a
levou para o seu convívio. Mas, tenho o cuidado de
em todas as noites fazer uma breve reflexão, quando
revejo todo aquele passado real, que parece um sonho.
Nesse momento transcendental, sinto saudades e
dedico-lhe com amor uma oração.


(Tarcisio Costa)



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