DELÍRIOS
Tarcísio R. Costa

O silêncio da noite
rasga o meu inconscimente,
mostra-me o emaranhado da minha
vida feita de dúvidas e de reticências...

Recolho-me, assustado, ao meu próprio interior...
Mas, a bruma das dúvidas esconde a esperança...
Tira-me o direito de entender os
desencontros que marcaram a minha vida...

Fui um vencedor, fui vencido
pelo mais forte dos sentimentos... O amor!

Hoje digito palavras com os dedos trêmulos,
desgastados pela dor das minhas saudades.

Espero, ainda, que, ver minimizada a minha dor...
Quero seguir rumo ao desconhecido...
Lá, poderá estar, quem sabe,
o meu amor.

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DELÍRIOS
Myriam Peres

À noite já recolhida
Quando os sonhos me embalam
E o desejo me adormece
Envolta em áureas serenas
De um pensamento e uma prece...

Fico enroscada em meus cachos
Enrosco-me também em meus braços
Mesmo sonhando dentro da fumaça
Dos meus cigarros fumando
Embolando tudo, estou te esperando...

E eu, abraçada na fumaça
Que em meneios saltitantes subia a me perder
Pego meus haustos flutuantes do cigarro
Retenho-te em meus devaneios e querer te ver
Mas distante de ti, meu padecer...

A fumaça, entranhando em meus ouvidos
No êxtase da procura, da presença
Estática nos meus devaneios
Querendo-te abrigado entre meus seios
Inhalo teu amor em meus sentidos...

E os aneis de fumaça em meus desvarios
No tragar de esperanças e ilusões
No reino febril de todas as fascinações
Ergo-me heroica de voz murmurante
Fico na fumaça, ergo minha taça
Anseio teu amor, louca e delirante...

Duetos
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