OS VARREDORES
Nelim Monti


Logo que inicia o dia
Os Varredores estão a varrer a praça
Calados vão varrendo...
Levando lembranças
Amores vividos
Pesando os gestos
Medindo os momentos
Olhando em tudo, sentem que varrem
Sonhos jurados
Alguns quais pedaços do céu pôr terra caído.

Varrem tudo...
Levando lembranças
Amores vividos na praça
Em todos os bancos frios.
Em toda parte.

Varrem folhas caídas
De uma página de amor morta
Em que o enredo se truncou.

Continuam varrendo...
Flores murchas, pálidas
Que entre nuvens de amores
Os casais se encontravam

Varre a terra que outros amores pisaram
Varre até a casca da cigarra.
Que abrindo-se em cantigas,
Clamando ao céu e a terra seus amores
Só restou a casca...

Varrem tudo...tudo...
As folhas, as flores, a casca, a lembrança,
o tempo e também o momento do seu
próprio passar.

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OS VARREDORES
Tarcísio R. Costa


O varredor cuida da beleza das ruas,
a sua missão é de maquiador do dia-a-dia
onde se passa a rotina de nosso viver,
causa dos nossos sonhos!

Por isso...

Vou pedir ao varredor
que varra as minhas saudades,
coloque no lixo a minha solidão,
Não varra as cartas de amor,
que estiverem pelo chão...

Vou pedir ao varredor,
que, ao limpar um jardim,
façam uns buquês de flores
e entregue para aos namorados
darem aos seus
amores.

Vou dizer ao varredor
que, ao ouvir os passarinhos,
lembre-se do seu amor
e, ao anoitecer, leve para ele
os seus carinhos!

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