INTERREGNO
Tarcísio R. Costa


Não pode ser... é impossivel
viver-se no interlúdio,
que confunde o ontem e o hoje
numa miscelânea obscura.
de sentimentos obtusos,
sem princípios, sem rumo conhecido...

Borboletas sem cor, ao léu,
pássaros sem ninhos...
Flores espalhadas ao chão,
velhas roseiras sem espinhos,
assim, sem proteção...
Enfeites do mausoléu
do passado que se foi...

Um flor saudade
resiste às intempéries,
viçosa está lá,
recebe a visita
de um velho sabiá,
que perdeu o passado
e não canta mais...
Vive ausente, sem luz,
no interregno dos tempos...

Quando presente
chegar,
virão as incertezas...

**************************************************

INTERRUPÇÃO IMPOSSÍVEL
Schyrlei Pinheiro


Vetar o ar,
o rumo incerto,
conhecendo o sentido
do ser vivo,
que povoa o universo.
No espaço,
precisamos do etéreo
para o eterno renascer,
que tem o canto das aves,
a beleza da flor.
o segredo das águas,
que apagam as chamas consagradas,
protegidas pela dor do amor,
que é semente da saudade,
das cinzas espalhadas
neste negro chão,
que, em vida,
não perde nada,
nem mesmo a ilusão.
Mentiras, fantasias
vestidas de sedução,
no tempo, é verdade em transformação.

Duetos
Inicial