SOU A NATUREZA
Tarcísio R. Costa


Sou o encanto do amanhecer,
Sou a tristeza do arrebol,
Sou a alegria do sol,
Sou a fonte do viver.

Sou o jardim, sou a flor,
Sou a mata verdejante,
Sou o deserto distante,
Sou o som, sou a cor.

Sou, dos lagos, a serenidade,
Sou, dos mares, a imensidão,
Sou o distúrbio da erosão,
Sou da brisa, a amenidade.

Sou o pássaro no ninho,
Sou o canto do sabiá,
Sou o direito de amar,
Sou a vida de carinho.

Sou a paisagem do horizonte,
Sou a terra sem retoques,
Sou o silêncio dos bosques,
Sou a singeleza da fonte...

Sou a borboleta adejando,
Sou, do arco-íris, as cores,
Sou o jardim, sou as flores,
Sou as estrelas cintilando.

Sou do futuro, a incerteza,
Sou o homem, imagem do Criador,
Sou produto originado do amor,
Sou sonho, sou beleza, sou amor.

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TRISTE FIM DE UMA MARITACA
Valeriano Luiz da Silva


Liberdade, liberdade...
Esta palavra me traz saudade
De quando tudo era realidade
Eu voava pelo campo e pela cidade

Nem o animal selvagem
Podia com a minha coragem
Pois, quando queriam me devorar,
Eu era nova e possante e punha-me a voar

Até que certo dia
Num bando com minha família
Saímos do mato pra cidade
Onde impera a maldade

Vi numa casa uma árvore frondosa
Pensei! vou tirar uma soneca gostosa
Mas o humano predador
Com facilidade me apanhou

Dizem que me vendeu pra um senhor
Que de aves era criador
Aí me engaiolou
Até minhas asas ele cortou

Acabou minha alegria
Nunca mais voltei pra minha família
Quando via um bando voar
Eu me punha a gritar...

Mas o maldito homem
Deixava-me passar fome
Quantas vezes ele viajou
De fome e sede quase me matou

Falar besteira ele me ensinou
Minhas forças ele tirou
Agora diz que está arrependido
Quer me soltar, mas pra mim não tem sentido...

Sou impossível de me readaptar
Já perdi o costume do meu habitat
Já não canto como as aves de lá
Meus membros estão sempre a atrofiar

Uma ave no cativeiro
É como gente no estrangeiro
Que às vezes a língua de lá
Só sabem imitar

Minha musculatura há tempo que não exercito
Sei que jamais voarei rumo ao infinito
Já não tenho a força do menor periquito
Rogo ao homem não me solte, mas ouça meu fraco grito.

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