O AMANHECER (II)
Tarcísio R. Costa


Primeiro, desponta a pálida aurora...
(Uma penumbra com ares de solenes)
Depois, os primeiros silvos anunciam ao longe,
É a brisa amena e os pássaros a comemorarem
O surgir de mais um dia...

O silêncio perde o comando do ritual,
Quando se rompe o som da natureza,
E a exuberância da sua beleza.
É benzida pelos raios do sol...

A lua esconde-se distante,
Mas não leva consigo a tristeza,
Ela vai, também, de lá, contemplar a beleza
Com a vaidade de uma amante.

Cada dia é o nascer de nova vida,
É o que de mais belo nos dá o Criador,
Nele está a felicidade para ser vivida,
Nele está o mistério do amor.

Cerro os olhos, em reflexão,
Solto em vôo o meu pensamento,
Explode soberanamente.
O amor no meu coração.

Vejo-te, ó amor, quero te tocar,
Estás transfigurada em um raio de sol,
Transforma-te, logo, em uma flor,
Quero, ansioso, te amar.
O dia será encantador...

**************************************************

AMANHECER
Vyrena


Abro a janela
o ar fresco da madrugada
bate em meu rosto
amarrotado
pela noite de sono.

Meus olhos
ainda entorpecidos,
por entre as pálpebras,
semi fechadas,
espiam o sol
que mal vem despontando,
do outro lado do rio.

o horizonte está rubro
como que iluminado
por mil tochas
que se multiplicam
ao se refletirem
no espelho das águas.

Sorrio, encantada,
com essa beleza sem par.

O ar fresco
me dá calafrios,
faz-me estremecer.
Nem assim,
da janela me afasto.

O olhar cativo
fica preso
a esse espetáculo impar,
com que a natureza
o está presenteando!

Duetos
Inicial