AMOR NA INFÂNCIA
Tarcísio R. Costa


Pode ser até incoerente o meu pensamento,
Mas, gostaria de voltar à infância
Dos meus doze anos, já cheia de paixão...
Qualquer papel, até na capa do livro,
Tinha o desenho de um coração...

Brotavam os meus primeiros sonhos,
Ferindo a minha ingenuidade...
Quantas vezes, estudando,
Fechava o livro... Cheio saudade...
E colocava no papel figuras
Que refletiam a minha paixão.

Meus sonhos eram lindos... A emoção
Invadia o meu ser
E me enchiam de douradas ilusões...

Nunca esqueci os meus infantis amores,
Apenas, por circunstâncias, os abandonei,
Mas, continuam gravados no meu coração.

Naquela idade, gostava de passear,
Eu e meus amigos falávamos sobre as paqueras...
Eram sintomas de quem queria amar.

Hoje, vejo aquele passado... sinto dor...
Revejo minha vida de conquistas e desilusões.
Sinto saudades... Quase tudo se perdeu
Nessa vida de contradições...

Resistiu, em mim, incólume,
Apenas, os sonhos do meu primeiro amor.

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AMOR PRIMEIRO
Yara Nazaré


Surgiu dos meus sonhos
E foi assim que aconteceu
Meu primeiro amor que chegou
Na noite de sonhos encantados
Vestido em seu traje de gala
Montado no seu ligeiro alazão.
Ansiei e esperei tantas vezes
Olhei firme para o horizonte
Desejei vê-lo chegar formoso
A vencer a distância do prado
Vindo firme na minha direção
Com ramos de Copos de Leite
Para enfeitar meu coração.

Quantas vezes desenhei
Enfeitei seu nome de cores
Com arremates de flores
No meu diário guardado
Dentro da gaveta secreta
Onde o acesso era só meu.

Em cada folha um desenho
No formato de um coração
Meu nome também era escrito
Ao lado da terna expressão:
"O príncipe do meu coração"!

Um certo dia feliz sorri
Ao fitar o firmamento
Vi no brilho das estrelas
Que algo de bom acontecia
Era meu príncipe chegando
Para selar nosso amor.

Meus olhos se moveram
Delineando o contorno
Da linda lua prateada
Que enfeitava o cenário
Do início do nosso amor.

Eu a sonhar em suspiros
Conseguia ver claramente
Nosso valsear no espaço
Sob a luz dos pirilampos
Ao som do curso das águas
Do rio que passava ao lado
Na imensidão do meu sertão.

Bem fácil consegui gravar
A plena nitidez dos traços
Do seu rosto lindo e moreno
A sorrir de amor para mim
Foi a glória do momento
Que jamais vou esquecer
Tão meu, só meu e... dele
De nós dois ali presentes
Nosso e de mais ninguém!

Duetos
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