INTERREGNO DOS TEMPOS

Não pode ser... não é possivel
viver-se no interlúdio
que confunde o ontem e o hoje
numa miscelânea obscura.
de sentimentos obtusos,
sem princípios,
sem rumo conhecido...

Borboletas sem cor, ao léu,
pássaros sem ninhos...
Flores espalhadas ao chão,
velhas roseiras sem espinhos,
assim, sem proteção...
Enfeites do mausoléu
do passado que se foi...

Um flor saudade
resiste às intempéries,
viçosa está lá,
recebe a visita
de um velho sabiá,
que perdeu o passado
e não canta mais... Vive ausente, sem luz,
no interregno dos tempos...
Quando o presente chegar
virão as incertezas...

(Tarcisio Costa)

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Poemas de F a J