br>
LENGALENGA SEM FIM

Seguimos num caminho
Cheio de reentrâncias,
São as inconstâncias
De retas e curvas
Nas águas turvas,
Vive-se no ziguezagues
Com subida
E descida,
Ora, estamos no alto,
Ora, no baixio,
Ouço um vozerio,
Têm os desníveis
Nada aprazíveis,
Depois os planos,
Vem os enganos
E as incertezas,
E as fraquezas,
Continua a confusão,
Vale a pena uma oração
Para passar o dia,
Credo cruz, ave Maria,
Quase tudo é desigual
É o conflito do bem e do mal
De nada se tem certeza
Nem sempre tudo é beleza,
Existe a mão que ajuda
Mas, Deus nos acuda!
Tem, também, a traição,
Ninguém mais dá a mão,
Vive-se assim o zigue-zague
Não sei se vou para o ataque
Não quero frustração,
Estou sem saber o que fazer
Fico a escrever à toa
Essa não é boa,
Ninguém vai ler
Coisas que feitas ao léu,
Vou pegar meu chapéu,
Ninguém vai me aturar
Isso aqui não tem nexo,
Pior se fosse convexo,
Estou sem paciência
Mas é uma incoerência
Se ninguém me vai ler
Para que escrever?
E assim a continuar
O meu caminhar,
Nos abismos,
Dos egoismos,
Das ameaças
Nas arruaças
Nas curvas em S
Sem GPS,
Assim é a vida,
Ás vezes perdida
Nas complexidades,
A falta de simplicidade
Traz as ansiedades,
É assustador
Viver-se sem alegria,
Não ter sequer fantasia
A saudade é a dor
Misturada com amor
São tantas as realidades,
Mas cruéis as verdades,
Falta-nos orientação,
É a emoção contra a razão,
É como se diz
Anda-se para onde vai o nariz
Ouço, longe, um atabaque,
Continuo no ziguizague,
Quero agora parar,
Mas não sei terminar,
Essa minha lengalenga,
Uma poesia capenga,
Ela não me dá prejuízo,
Mas tira o meu juízo
Também de quem vai ler,
É bom isso eu ver,
Queria continuar
Para ver aonde ia chegar
Mas, to chegando ao fim
Bom dia para você, assim,
Tenha compaixão,
Vem para cá
Meu amor
Estou confuso, assim
Estou a tua espera
Eu te quero
Aqui no meu jardim
Tenho para ti a mais bela flor
Seja lá como for,
Estou com o "coração na mão"
Vem, amor,
Estou aqui na solidão.

(Tarcisio Costa)


Inicial
Poemas de L a O