PAPEL EM BRANCO


Chegou uma carta para mim,
Olhei o anverso do envelope, vi nome dela.
Para ler o conteúdo, senti muita ansiedade,
Mas, ao abrir a carta tive uma surpresa,
O papel ali contido estava em branco

Veio a minha mente uma suposição,
Imaginei o que poderia aquilo representar.
Relembrei-me de tudo, de quando estivemos juntos,
E o que ela me falou por ocasião da sua partida,
Foram palavras doces, de amor, coloridas.

Por isso, aquele papel revelou a mim
A amargura da tristeza da sua saudade.
Achei que não podia significar outra realidade...

Abateu-me um estado de densa melancolia,
Pude sentir o quanto é dura uma verdade,
Temia que tudo podesse ser uma fantasia.

Sofria com essa amarga insegurança,
Quando outro envelope chegou para mim.
A remetente era ela... o meu amor.

A carta ratificava tudo o que eu imaginara.
Ela me revelava que muito se preocupara
Ao constatar que, ao invés desta carta,
Enviara-me um papel em branco.
E que era indelevel o seu amor.

(Tarcisio Costa)


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Poemas de P a T