SAUDADES III

Ao longe o som de um violino plangente,
faz-me relembrar de momentos com os meus amores,
nas reentrâncias confusas do meu distante passado...
Rolam dos meus olhos lágrimas do coração...
A crina do arco, desliza suave no violino
A plangência das notas musicais,
coloridas de dor e de saudade,
de tudo o que passado,
impiedoso me tirou.

Lembro de que ouvia com o meu amor,
bem perto de casa, entre árvores floridas,
sentados junto a uma bucólica fonte,
nascida p'ras banda do horizonte,
O canto mavioso de um sabiá...

Esse panorama traz ao meu coração,
Uma miscelânea de dúvidas da minha vida...
Vejo um presente repleto de saudades,
numa mesclagem de alegria e de dor,
Sei que são sintomas das verdades
e as lembranças de quem amou.

Viver do passado,
é esquecer, que no presente.
Podemos, ouvir outros violinos
E ao sabor de novos amores,
às margens da mesma fonte...
Ouvirmos novos sabiás.

Podemos ressuscitar a alegria
Mas perdura, na alma, a cruel realidade...
Podemos nos livrarmos da nostalgia,
Nunca, no entanto da saudade,
por ser própria do amor.

(Tarcisio Costa)


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Poemas de P a T