SONETO DE UM SONHO


A fumaça alastra-se pelo infindo espaço,
o perfume dos velhos dourados turíbulos,
Na combustão do incenso sagrado,
À memória dos mártires nos patíbulos...

Sob o odor solene do incenso,
Há o estertor da moribunda agonia...
Há um grande contraste, um contra-senso
Da força injusta da cruel da tirania...

O poeta, por sorte, tem sua dor aliviada,
Transpira, triste da dor do seu sonho,
No alívio de um momento bisonho

de uma nuvem imaginária, bronzeada,
O vento a leva, e ele fica a olhar tristonho,
A cena da ressurreição do nada.

(Tarcisio Costa)


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Poemas de P a T