VI ASSIM MUITO AMOR

Mergulhei no meu subconsciente,
Para folhear o arquivo do meu passado.

Vi-me menino, lá no meu distante interior,
Lá revivi a simplicidade da vida sertaneja,
Vi as lágrimas da minha mãe na minha despedida,
Quando, triste, partia para o colégio interno,
Vi o carinho do meu pai, no seu terno olhar,
Vi, assim, muito amor...

Vi-me brincando nas corredeiras
Do velho rio que carregava as minhas ilusões...
Vi os canaviais, vi a verde mata, em frente,
Onde se ouvia, sempre, no entardecer,
O canto saudoso de um sabiá...
Vi, assim, muito amor...

Senti a brisa amena bater em mim,
Com aquele cheiro de imaculada felicidade,
Vi em tudo a alegria e a ausência de maldade,
Vi a árvore dos meus sonhos, transformada em saudade...
Vi, assim, muito amor.

Vi-me chegando de férias,
Este é um lindo momento da minha memória,
Entregava ao meu pai a alegria, expressa no boletim,
Ele lia feliz, com os seus olhos molhados de amor,
O exibia, "orgulhoso", olhando para mim...
Vi, assim, muito amor.

Agora, escrevo esse poema,
Acredite, é verdade, com lágrimas nos olhos,
É a saudade de tudo que o passado me roubou...
Hoje, no céu meus pais, junto de Nosso Senhor,
Estão felizes, por eu seguir os seus exemplos.
Sinto muita saudade neste momento...
Vi, assim, o meu passado de amor.

(Tarcisio Costa)


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